RESENHA | Caixa de Pássaros – Josh Malerman


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Na hora do medo a adrenalina toma parte do seu corpo, seus reflexos se apuram e suas pupilas se dilatam para poder enxergar melhor. Mas e se você não pudesse ver o que te põe em perigo? Como enfrentar algo que ao ser visto te deixa louco ao ponto de tirar a própria vida da pior maneira possível? Conheça “Caixa de Pássaros” o romance de estreia de Josh Malerman.
O que começa como um boato na internet – casos de pessoas que se mutilam e depois se suicidam após ver algum “ser” – passa a se tornar algo preocupante devido ao grande número de casos e a nossa protagonista, Malorie passa a acreditar que o perigo é mesmo real, tendo que descobrir uma forma de sobreviver e conseguir ter o filho que está esperando em meio a esse caos.
A estrutura do livro é montada em alternância de capítulos, onde temos o presente, já se passaram cinco anos e Malorie decide enfrentar os seus medos e sair da casa junto com seus filhos, percorrer 30 quilômetros por um rio totalmente à cegas e ter esperança que no final do caminho haverá algo melhor, algo que possa salvá-los dos riscos que correm. E em contra-ponto, o passado revelando quais decisões e escolhas foram tomadas até aquele exato momento.

“Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.”

Além disso, a agonia e a sensação de impotência que pode ser sentida em diversos momentos do livro, pelo fato de Malerman ter reunido três medos que circundam a maioria das pessoas – não pode ver, a loucura e, consequentemente, a morte – torna a leitura mais dinâmica e nos dá um “up mushroom” para chegar ao final.
Porém, criar um livro pós-apocalíptico e com criaturas inimagináveis requer muita riqueza de detalhes e informações para que nós leitores possamos imergir na história e acreditar nela. Contudo, não foi dada a devida importância para esse fato. Pois, além dos personagens terem sido formados “superficialmente”, há também uma falha em descrever a maioria dos cenários, fundamentais em uma obra nesse estilo.
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O VEREDITO

Deixando a imaginação fluir ou analisando-o sobre uma perspectiva mais filosófica do que tendente ao terror, "Caixa de Pássaros" pode te fazer refletir, divertir ou - na melhor das hipóteses - te deixar tenso e aflito.

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