Resenha | Guerra do Velho – John Scalzi

Ou “Como ser um velho de 75 anos e ainda assim ir pra guerra”
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Em Guerra do Velho, A Humanidade está em guerra para ocupar e manter seu espaço entre as milhões de estrelas do universo, garantindo a continuidade da raça humana.

John Perry, de 75 anos, parte para servir às Forças Coloniais de Defesa (FCD).

Calma, como assim? 75 anos?! Avançamos tanto na tecnologia que agora humanos vivem mais que a média?

Não. Perry é um viúvo de 75 anos que se alistou para essa GUERRA!

E de que adianta alguém nessa idade para guerrear em prol da Humanidade? Esse é um dos mais bem guardados segredos das FCD (que só recrutam na Terra mas não atuam nela, isto inclui não compartilhar a tecnologia alienígena que possuem e que desenvolveram).

Olha Perry, isso acontece com todo mundo. Você vai deixar isso para lá quando perceber que não é um monstro desumano de verdade, apenas está tentando assimilar uma situação completamente fodida. Durante 75 anos você levou o tipo de vida na qual a coisa mais excitante que acontecia era você transar de vez em quando, e a próxima coisa que você vê é que está tentando estourar polvos do espaço com uma MU antes que eles matem você primeiro. Meu Deus. Eu não confio é naqueles que não acabam pirando. – tenente Keyes

John Perry inicia sua aventura na Terra, após sua esposa falecer e após seu aniversário de 75 anos, quando decide se alistar para, como dizemos por aqui “ver qual que é”.

As regras da FCD são claras neste ponto – só são aceitos recrutas com 75 anos completos, podendo se alistar até seu aniversário.

A citação acima não deixa dúvidas não é mesmo? Tudo é novo lá em cima.

A Obra

John Scalzi tem uma mente muito fértil e conseguiu criar um conjunto de raças alienígenas que não só são muito bem construídas em si como possuem traços bem marcantes.

Como toda boa vizinhança, o universo possui seres que se odeiam, se gostam ou que só se toleram. Alguns alienígenas não vem nos humanos um risco e até compartilharam conosco suas tecnologias.

Outros, preferem simplesmente criar humanos como gado.

Sim. Gado. Para engordar, multiplicar e depois ser comido.

Vale a pena?

A Guerra do Velho consegue entrar para a lista de livros de ficção científica que não ficam na mesmice – temos muitas ramificações em termos de seres, planetas e tecnologias em um único livro.

O lado positivo é que muitos gostos diferentes se mesclam na narrativa.

Acho Guerra do Velho um ótimo livro para se começar o vício em ficção científica – a receita simples, feita de uma maneira única, tornam a leitura como um todo muito agradável, mesmo ao se falar em assuntos um pouco mais cabeludos como viagens espaciais e outras maravilhas tecnológicas.

Por outro lado, tantas referências diferentes podem cansar o leitor – seja por muita informação apresentada ao mesmo tempo na narrativa, seja, como no meu caso, pela falta de profundidade, um melhor aproveitamento do próprio mundo criado por John Scalzi.

8
Edição 8
Enredo 10
Final 6
O VEREDITO

A Guerra do Velho tem uma ótima edição no Brasil. A tradução ficou muito boa com algumas partes traduzidas utilizando-se do linguajar brasileiro para traduzir os palavrões, por exemplo. A joia da coroa fica com o enredo em si. Com uma escrita descontraída e detalhista quando precisa, a narrativa de John Scalzi é leve e consegue tratar muito bem mesmo dos assuntos mais complicados. Infelizmente, o final acaba ficando muito batido e parece faltar algo que melhor encerrasse o desenrolar dos fatos no livro.